“Ainda dá pra rodar mais um pouco” é uma das frases mais perigosas quando o assunto é pneu careca. O desgaste da banda de rodagem acontece de forma gradual, e por isso é fácil ir empurrando a troca até o dia em que ela deixa de ser sobre economia e passa a ser sobre segurança.
Por que o desenho do pneu importa tanto
Os sulcos da banda de rodagem existem para escoar água, evitando que o pneu perca contato com o asfalto em pista molhada, o famoso aquaplanagem. Quanto mais raso o sulco, menor a capacidade de escoamento, e maior o risco de o carro “flutuar” sobre a água em vez de tocar o chão.
Pneu careca também aumenta a distância de frenagem (em pista seca e, principalmente, molhada), reduz a aderência em curvas e compromete a estabilidade em situações de emergência, exatamente os momentos em que você mais precisa que o carro responda.
Como saber se está na hora de trocar
Todo pneu tem um indicador de desgaste (TWI — Tread Wear Indicator), pequenas saliências dentro dos sulcos. Quando a banda de rodagem chega ao nível dessas saliências, o pneu atingiu o limite legal de uso e precisa ser trocado.
Um teste simples e rápido: coloque uma moeda de R$ 1 com a borda dentro do sulco do pneu. Se for possível ver toda a borda prateada da moeda, o desgaste já está no limite (ou além dele).
Outros sinais de alerta incluem bolhas ou deformações na lateral, rachaduras na borracha (comuns em pneus mais antigos, mesmo com pouco uso) e desgaste irregular, que costuma indicar problema de calibragem, alinhamento ou suspensão.
Pneu velho também é pneu careca “escondido”
Mesmo que a banda de rodagem ainda pareça boa, a borracha se deteriora com o tempo, o sol e a variação de temperatura. Pneus com mais de 5 anos de fabricação (a data vem gravada na lateral, no formato semana/ano) merecem uma avaliação, mesmo com pouca quilometragem rodada.
O custo real de esperar demais
Rodar com pneu careca não economiza dinheiro ele apenas transfere o custo para depois, e com juros. Além do risco de acidente, pneu gasto força o carro a compensar a aderência perdida, o que aumenta o desgaste de outras peças e ainda eleva o consumo de combustível.
E tem outro detalhe: em uma revisão veicular ou parada de fiscalização, pneu abaixo do limite legal pode gerar multa e até retenção do veículo.
Pneu careca também pesa no bolso de outro jeito
Vale lembrar que pneu gasto não afeta só a segurança ele também compromete a eficiência do carro como um todo. Com menos aderência, o carro perde tração em arrancadas e em subidas, o que costuma levar o motorista a acelerar mais forte para compensar, aumentando o consumo de combustível. Some a isso o risco de dano à roda em buracos (já que a “almofada” de borracha está mais fina) e você tem um item que parece pequeno, mas impacta o carro inteiro.
Dá para prolongar a vida útil dos pneus?
Sim, e isso ajuda a espaçar as trocas sem comprometer a segurança. Manter a calibragem correta, fazer o rodízio dos pneus no intervalo recomendado (geralmente a cada 10 mil km), corrigir alinhamento e balanceamento regularmente e evitar arrancadas e frenagens bruscas são hábitos simples que reduzem o desgaste desigual e fazem o conjunto de pneus durar mais tempo adiando o gasto com a troca, sem colocar a segurança em risco.
Não espere o sulco sumir para descobrir que está na hora de trocar.


